Hoje na rua, vi uma moça que um dia foi minha amiga e que com o tempo e a rotina tornou-se apenas conhecida. Pouco sei sobre o que ela anda fazendo, quem está namorando, enfim, coisas que um dia foram diferentes.
Pensei em ir falar um ‘oi’, mas pensei: Será que devo? Há
tanto tempo que nos distanciamos e já a vi outras vezes e em todas elas refizemos
a promessa de nos visitarmos, o que claro, nunca aconteceu, o que prova que há algo errado, já que amigos de
verdade fazem um mínimo de esforço para se fazerem presentes. Imediatamente
minha cabeça voou para Zygmunt Bauman e sua teoria da Modernidade/Amor Líquida,
cuja ideia prega que vivemos em tempos de sentimentos fast food, ou seja, dê o
que preciso ou caia fora, simples assim.
O que mais me assusta é exatamente isso, essa coisa de: “Ah,
tudo bem, você não me procura, eu não te procuro... mesmo um dia tendo sabido
muito uma da vida da outra. Ok, vida que segue e que venham novos amigos”.
Triste, eu sei, a sensação que dá é que descartamos pessoas como descartamos
papel toalha e isso engloba outros tipos de relacionamentos.
No final das contas, não me apedrejo por essa forma de
pensar, até por que sabemos bem que um dos maiores empecilhos da distância é
esse mesmo, fazer com que o que era fluido se torne maçante, e às vezes
desinteressante, e não é por vontade própria, mas justamente por essa
intersecção que fica e não sabemos muito bem como preenchê-la. Fazer o quê?

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